sexta-feira, 28 de março de 2025

Lá para Setembro, Deus me dê vida e saúde, passo os 40 em Paris. Fiz as reservas já, para não ter muitas chatices, para os do costume, os meus pais, o Império austríaco e uns amigos. Pensei em revisitar Versalhes e, num repente, atravessei quinze anos da minha vida, quando estive com ela lá, e tudo me pareceu tão vivo e tão presente. A chegada na estação, um par de perguntas a quem passava, umas camisolas compradas numa loja de segunda mão, aa celebração o casamento do Rei Sol, um chocolate quente para me aquecer num frio terrível, uma foda incrível, o regresso no comboio com uns miúdos a fumar. E podia continuar.

domingo, 23 de março de 2025

 



Passou-me o dia mundial da poesia, a Primavera. Há uns anos traduzi este, uma daquelas esculturas que perduram anos, anos e anos, que perden a cor, o lastro, as formas, mas nunca a grandeza ou a beleza. A gravação aborrece-me, a música lamechas e a falta de gosto para a fotografia de quem a publicou. 

É um dos testemunhos mais belos do amor e da morte que conheço, na língua que mais amo, e que traduzi para a mulher que mais amei. Nunca chegou a ler, mas isso interessa muito pouco.

domingo, 9 de março de 2025

Passámos anos a avisar... a hiper sexualizacão, a redução do discurso público a mínimos absurdos, um enfraquecimento das sociedades, a tentativa de redefinir códigos culturais, uma corrupção ímpar na história... bastaria viajar, apanhar o comboio para Budapeste em 2015... no entretanto, uns perderam a vida, outros, como eu, ficaram com ela destroçada... e, no fim de tudo, está aí a guerra, os velhos de sempre a pedirem o regresso ao ethos cavalheiresco, como se estivéssemos na idade do cavalo e não do drone, enquanto grassa uma indiferença cada vez maior ao terrorismo em solo europeu. Aquele historiador inglês era capaz de ter razão, as sociedades morrem - mas enganou-se na identificação do defunto. E agora esta sociedade morta prepara-se para um conflito de larga escala com outro moribundo.

Não me parece que esta gente tenha a mínima ideia do que lhes espera. O doutor Destouches avisava com os chineses, que eles vinham aí... na altura, um bando de miseráveis... era preciso ter olho para perceber que não tardariam... e na sua versão caniche norte-coreano chegaram às portas orientais da Europa. 

Prefiro o meu desgosto, apesar de tudo. Gostaria muito de um dia voltar a ver a L. Mesmo não estando bela, nem jovem, também eu já estou no fim do Verão, gostava de a ver, porque a memória que tenho dela é um símbolo de alegria, do mais puro amor. Tudo o resto, por esta altura em que já me morreu tanta gente querida, não me importa nada.

terça-feira, 4 de março de 2025

Deviam ter mais calma... sempre nesta histeria, todos os dias o apocalipse... mania das opiniões, das análises, da investigação, das comparações,  da História... tudo inútil e estúpido... quem não tomar a vacina, morre... ladravam... não aprendem. 

Este ano, fazemos as nossas férias de Verão por Portugal, não estamos muito convencidos... a ver vamos.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Faz hoje anos. Lembro-me destas datas. São 46, se não me engano. Durante muito tempo pensei que seria como no livro da Duras, que ganharia coragem para lhe ligar e dizer que apesar do casamento, dos filhos, do tempo, tudo seria igual, tudo seria igual até morrermos. A literatura também está morta.

E, agora, aí estamos, a falar de soldados, de guerras, do Báltico, a cimeira da NATO do outro lado da rua, os agentes da polícia europeia no meu prédio, mais a tesuda da ucraniana e o marido e o filho, espiões e microfones por todo o lado, não deixa de ter a sua graça. 

Estão estes dias bonitos do Norte, céu limpo, sol, temperatura negativa. Dias muito bonitos.

domingo, 19 de janeiro de 2025

É muito estranho. Anos e anos... vivi para recordar. Madrid, no fim do ano, para lembrar a viagem que fiz com ela.. este ano não gostei, tive febre, a viagem de regresso foi mais demorada... nem tudo foi mau, o Greco, o Escorial, Toledo, mas foi tempo a mais, aborrece-me a vida de hotel e restaurantes. Comprei uns livros engraçados, ao menos isso. Talvez volte noutra altura, quando houver alguma coisa no Prado. Em San Sebastian consegui ir à missa, um sermão muito bonito, o Bom Pastor... foi o que eu disse à minha mulher, que ela foi o meu Bom Pastor, que me reconduziu a Belém, ao Nascimento. E ela é extraordinariamente bela, creio, ao fim e ao cabo, que Nosso Senhor deve ter perdido a paciência comigo, ao me ter dado a vontade de vasculhar fotografias, de ver o que o tempo fez à L., como está destruída, imbecil, feia que mete dó... e como eu tenho passado meu tempo com um verdadeiro tesouro, como temos percorrido o Velho Mundo de comboio e mochila, como peregrinos, atrás das igrejas, da pintura e da música. Como é estranho estar livre duma dívida que nunca quis contrair, e como isso é bom.